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Convidado do Dia - Fred Leal
Harvest (1972) Neil Young
Em 68, Neil Young deixou o Buffalo Springfield de seu freqüente parceiro Stephen Stills para se lançar em carreira-solo. Enquanto o primeirão, Neil Young, acabou não fazendo muito barulho, foram necessários apenas 3 anos para o canadense de Toronto-californiano de coração enfiar o pé na cara dos cowboys-poseurs da época (culpa da explosão do folk alguns anos antes) e ensinar que é preciso um pouco mais que um slide ou encordoamento de aço pra se fazer rock genuinamente caipira.
After the Gold Rush era o disco de Young que todos à época esperavam, e queriam ouvir. Em tempos de Bob Dylan, se firmar como "trovador" não era pra qualquer um. Harvest, subseqüente, veio com pouco mais de um ano de diferença. Mergulhava na mudança de rumo apontada pelo disco anterior, se distanciando ainda mais dos rockões de Everybody Knows This Is Nowhere e das brincadeirinhas casuais com Crosby, Stills & Nash.
Harvest é provavelmente o disco mais redondo da carreira de Neil Young. Exatas 10 canções, e a fórmula seminal a ser recombinada ao longo de toda uma carreira: uma acústica ao vivo ("The Needle and the Damage Done"), duas com orquestra ("A Man Needs a Maid", "There's a World"), e o resto, guitarras, de todos os tipos, em todos os momentos. E não quaisquer guitarras: o Stray Gators, banda de Young por alguns discos (mas não tão longeva quanto o Crazy Horse), encabeçada por Jack Nitzsche e Ben Keith, além, claro, das ocasionais aparições dos amigos (Crosby, Stills, Nash, e a musa country Linda Ronstadt).
Mesmo não sendo assumidamente conceitual, como o recente Greendale (que conta a história de uma família na caipira cidadezinha de Greendale, agitada por um assassinato), Harvest é tão coerente que parece projetado. E não é por menos que é o disco mais popular de Young: são as melodias mais acessíveis do compositor em boa parte de sua carreira. Não é tão enérgico ou tão literalmente rock n' roll como um disco com o Crazy Horse seria, o que acaba contribuindo para seu tom denso e melancólico.
Começa com "Out on the Weekend", anunciando: "see the lonely boy/out on the weekend/trying to make it pay". Depois ainda rola um "can't relate to joy" de partir o coração. A melodia é sincopada e fácil, servindo de base para Neil Young desfiar sua história de solidão e brincar com efeitos e slides em background, solo de gaitinha... Irresistível. Segue com "Harvest". Mesmo esquema, quase um lado B da anterior. Também slides em background, e uma letra que, ao contrário da ação e história explícita da primeira, mergulha na solidão do artista, do personagem projetado ao longo do disco, repetindo entre cada estrofe: "dream up, dream up/let me fill your cup/with the promise of a man".
"A Man Needs a Maid" é a polêmicazinha do disco. Sua letra afirma que um homem precisa de uma empregada, "just someone to keep my house clean/fix my meals and go away". Mais que um libelo machista, como os mais precipitados gostam de afirmar, a letra promove um confronto entre a solidão do homem e a realização de suas necessidades mais básicas. Desespero, "like a beggar/going from door to door". E pra dar a primeira pirada do disco, a balada é carregada por um piano e Neil Young sustentando um tom agudo do início ao fim. Tipo de música que nos fazem decidir, em cantores tão peculiares como Neil Young, se a voz agrada ou incomoda. Me agrada muito, e o desespero e ênfase ao dizer os versos do título sobre um crescendo de piano, encorpado pela London Symphony Orchestra, me emociona.
"Heart of Gold" e "Are You Ready for the Country" são mais dois típicos exemplares do country rock que Neil Youg ajudou a transformar em gênero. A primeira foi o único single do disco a atingir o primeiro lugar nas paradas, e conta com um refinado coral a gritar: "keeps me searching for a heart of gold" e dar continuidade à jornada solitária de Young. A segunda, uma das poucas canções do disco com uma levada mais acelerada, em busca de respostas, e quase explicando o porquë de Harvest: "you gotta tell your story/boy you know the reason why".
"Old Man" é uma de minhas preferidas. "Old man take a look at my life/I'm a lot like you/I need someone to love me/the whole day through." Porque não há idade para a solidão, nem os vinte-e-poucos do então jovem Neil. Uma das mais lentas e introspectivas do disco, em urgente primeira pessoa. Aí, mais uma pirada do disco com a participação da Orquestra Sinfônica de Londres: "There's a World", marcada por drama intenso e sincopado, transformada em melodia onírica num harpejo de desenho animado.
O rock volta em "Alabama", que mescla riffs de guitarra indescritíveis com solos de piano burilados com genialidade por Young, sobre uma batida marcada nos pratos. Negativo da primeira, que é quase uma crítica social sob um ponto de vista pessoalíssimo (que conecta a faixa ao resto do disco), "The Needle and the Damage Done" é talvez uma das mais tristes e inspiradas canções de Neil Young. Sua pesada abordagem sobre o vício em heroína faz da canção uma das maiores referências à droga na história da arte popular, e uma das mais sinceras. Gravada ao vivo, a música isola o cantor e seu violão numa multidão que observa silenciosa. Aparentemente fora do contexto do resto do disco - até por ser a única ao vivo -, podemos entender a canção como uma justificativa da solidão, ou pior: dolorosa válvula de escape. Claro, forçando a barra. Sem erro, eu avisei que o disco não era conceitual. Proposta tem limite.
O disco encerra com a canção mais longa. "Words (between the Lines of Age)" tem quase 7 minutos, muitos preenchidos por lindos solos de guitarra e piano que oscilam o tempo todo para terminar num fade out de incompletude - respondida 20 anos depois, em Harvest Moon. Sua letra é uma das mais complexas do disco, permeada por metáforas e imagens de solidão e loucura ("thinking your mind/was my own in a dream").Encerramento perfeito - justo pela falta dele - para um álbum que mergulha na mais perturbante das dores cantadas ou experimentadas pelo homem.
Ouça " Harvest " na rádio UOL
Escrito por Babu às 14h09
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Convidado do Dia - Augusto Olivani
Antes de discorrer sobre a beleza e o suíngue raro de "Butterfly", disco da cantora japonesa Kimiko Kasai junto de Herbie Hancock, gostaria de dizer que me senti lesado depois que descobri a falsa japaneguice de Kasai _aparentemente denunciada na capa do disco.
"Butterfly" é fruto de uma espécie de incursão de Herbie Hancock no mundo peculiar do Japão. Entre 1978 e 1980, ele produziu dois discos de Kimiko Kasai _este que é objeto aqui, de 1979, e "Round & Round"_ ao mesmo tempo que gravava dois álbuns solo: "Flood" e "Directstep". Todos, porém, só foram lançados no Japão em prensagens limitadas (atualmente, até o CD relançado em 1997 de "Butterfly" está esgotado em lojas especializadas).
Para gravar "Butterfly" com Kimiko Kasai, Hancock convocou seus parceiros de Headhunters Bennie Maupin (sax), Paul Jackson (baixo) e Bill Summers (percussão), mais os serviços dos mestres Alphonse Mouzon (bateria) e Webster Lewis (teclado) para participações pontuais.
O som da banda, para quem já conhece o clássico de 73 que leva o nome do projeto, continua solto e cheios de ganchos groovy para se deixar nocautear. Porém, quando ele ruge em "Butterfly", aparece marcado pela cinta-liga de Kimiko Kasai _o que é uma nova experiência.
A alma da cantora japonesa é diferente daquela das grandes frágeis vozes negras da matriz, como as de Patrice Rushen, Marlena Shaw e Minnie Riperton; é mais cristalizada, sólida porém sensível. Não atinge tons tão altos nem tão graves, mas carrega uma profundidade intrínseca.
O disco já começa com a pipoqueira "I Thought It Was You", que abre com frase de Herbie Hancock cristalina para já cair nas redes do baixo flutuante. A batida envolvente e a construção perfeita da canção resultam em um refrão cativante. Há ainda espaços para breaks e duelos entre o poderoso maquinário de sintetizadores do maestro Hancock e o sax de Maupin e também a voz de Kimiko. Se há algo que impressiona é o poder de coesão que a música carrega, com todos os instrumentos potencializando uns aos outros em harmonia quase perfeita.
"Butterfly" fica um pouco mais teatral e narrativo depois do eufórico começo. Em "Tell Me a Bedtime Story", o clima é de fantasia. A percussão é latina, compassada, assim como a bateria. Na sequência, "Head in the Clouds", canção de ninar valsada, quase balzaquiana. Para não perder o clima dramático, segue versão cantada de "Maiden Voyage", bem arrastada, que me lembrou um pouco o filme de Michelle Pfeiffer "Susie & os Baker Boys": até visualizei o Hancock sentado de fraque, com aqueles olhos arregalados e gel no cabelo, olhando Kimiko Kasai _deitada ao longo do piano de cauda com vestido vermelho, daqueles com decote na coxa_ se acabar pelos versos da canção.
Mais choro copioso em seguida: "Harvest Time" tem aquelas longas introduções de piano e continua com drama e interpretação de Kimiko Kasai, no melhor estilo karaokê japonês. Na sexta faixa, "Sunlight", já há sinais de vida nos membros do Headhunters _Bennie Maupin até aparece com o sax alto para encantar a serpente do oriente.
Porém, é nas duas últimas músicas do álbum que o suíngue aparece nas formas mais belas. Um sopro de inspiração abre versão de "Butterfly", canção que dá nome ao disco. Originalmente presente no álbum "Thrust", de 1974 (o seguidor do seminal "Headhunters"), a original é um groove mais rápido e instrumental.
Desta vez, cadenciada, cheia de crescendos e intervenções bem arranjadas dos teclados, a canção mantém a compostura e a classe, comendo pelas beiradas e deixando o recheio para o final. A voz de Kasai faz uma diferença incrível, apesar da composição em si já ser irretocável. Mas o que o elemento japonês provocou nesta canção resultou em uma pepita que sempre tem algo novo para revelar.
Para coroar este álbum de beleza excêntrica, uma cover da sensacional "As", de Stevie Wonder (originalmente na pedra de toque "Songs in the Key of Life"). Todos os mestres se reúnem em um organismo instrumental e vocal e o resultado é uma versão dinâmica e única de uma composição belíssima. Herbie Hancock faz um sintetizador emular voz para acompanhar e duelar roboticamente contra Kasai. Praticamente um genuíno fruto do futuro utópico que se criava na época e, por isso, sempre reluzente no espaço.
Kimiko Kasai, como disse no início, não é, pessoalmente, a mesma japonesa negra que estampa a capa de "Butterfly". Mesmo sem este elemento de fetiche, a qualidade de sua voz é incontestável. Já havia trabalhado em outros discos de jazz, inclusive gravando com Gil Evans em 1972 e também com Stan Getz em 1975, em sessão que resultou no disco da cantora "This Is My Love", que contém o soul poderoso de "Use Me", outro clássico.
Escrito por Babu às 19h50
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Convidado do dia - Eduardo Abreu

ALICE COOPER – “Special Forces”
Eduardo Abreu
Se quando você pensa no Alice Cooper automaticamente lembra de “School’s
Out”, rock-horror, um cantor com nome de mulher, maquiagem esquisita e uma cobra
enrolada no pescoço, experimente ouvir o álbum “Special Forces”, de 1981.
Não sei o que se passava na cabeça da “tia Alice” na época, mas o fato é que
o disco transpira o clima do início dos 80’s, com alguns teclados descolados,
flertes com new wave e punk, e letras deliciosamente sarcásticas.
Cooper foi apadrinhado pelo mestre Frank Zappa no fim dos anos 60 e dá pra
notar que em “Special Forces” ele adotou uma espécie de humor “zappiano”, muito
cínico e com um certo complexo de superioridade.
Difícil imaginar a reação do público de Alice na época em que esse disco foi
lançado, porque os arranjos, a temática e as referências musicais de “Special
Forces” têm muito pouco de sua produção dos anos 70, quando sua praia era o hard
rock/metal teatral. Mais difícil ainda é entender como nenhuma das músicas de
“Special Forces” virou hit radiofônico ou tocou em festinhas new wave naqueles
tempos…
Ainda no início da década de 80, Alice Cooper produziu outros trabalhos
bacanas que passaram batido, mas mostram que o cara estava antenado com a
sonoridade da época: “Flush the Fashion” (1980), “Dada” e “Zipper Catches Skin”
(ambos de 1982).
Esqueça os discos embaraçosos que ele gravou na década seguinte - como “Hey
Stoopid!” e “Trash” – e dê uma vasculhada atrás dessa produção sonora mais
obscura. Minha dica? Comece com “Special Forces”!
Ouça Alice
Cooper
O Eduardo tem um blog classe A, o Caixa Preta, passa lá pra fazer
uma visita
Escrito por Babu às 11h03
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Escrito por Babu às 15h13
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Convidado do dia - Eduardo Abreu
ZZ TOP – “Mescalero”
Ninguém comenta, mas o ZZ Top já entrou em sua quarta década de existência e, acreditem, mantém a mesmíssima formação! O álbum “Mescalero”, de 2003, mostra que os barbudos Billy Gibbons (vocal e guitarra) e Dusty Hill (baixo e vocal), acompanhados do eterno batera Frank Beard, não estão compondo ou gravando em piloto-automático, como a maioria dos dinossauros do rock. O ZZ Top, que surgiu como uma clássica banda texana de blues, foi adicionando elementos à sua música durante o tempo e, no início dos anos 80, atingiu seu pico de popularidade com o verniz pop dos discos “Eliminator” e “Afterburner”. Além disso, o trio soube como poucos aproveitar o então jovem video-clipe (no formato que conhecemos hoje) e marcou época com os filminhos promocionais dos hits “Gimme All Your Lovin’” e “Legs”. Quem tem perto de 30 anos, com certeza não esquece a exibição desse clipes em programas como Som Pop, da TV Cultura,e o invocado calhambeque vermelho que rasgava estradas empoeiradas sob os riffs de guitarra de Billy Gibbons!
Pois bem, o tempo passou e o ZZ Top soube manter sua música relevante e moderna. “Mescalero” tem discretas influências eletrônicas, a sensibilidade pop que tornou a banda famosa nos 80’s e ainda mantém a alma de blues e rock “estradeiro”. Os solos e arranjos de Gibbons são únicos e, nesse álbum em especial, impressiona a timbragem e a distorção do baixo de Dusty Hill. “Me So Stupid” tem ecos de grunge e efeitos eletrônicos, “Bukk Nekkid” traz um tema de blues/rock malicioso e “Alley Gator” é um rock’n’roll “pantanoso” que só mesmo o ZZ Top poderia compor. O disco tem ainda 2 baladinhas country que descem muito bem com um whisky barato (“Goin’ So Good” e “What Would You Do”), um hino para beberrões amargurados (a bem humorada “Que Lastima”, cantada em espanhol) e experimentalismos como “Dusted” e “Crunchy”.
“Mescalero”, que foi lançado no Brasil, tem todos os ingredientes para agradar os fãs tradicionais da banda e uma sonoridade contemporânea que pode atrair novos seguidores do trio mais venenoso do Texas.
Ouça "Mescalero" na rádio uol
Escrito por Babu às 16h58
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Omo

Era muito comum, entre eu e meus amigos, a troca de compilações produzidas por nós mesmos em fitas-cassetes. Eu acho que o meu envolvimento profissional com a música começou ali. Sempre tentei fazer a melhor coletânea, mas alguns poucos me superavam. Um desses amigos era o Cotô, o cara tinha uma coleção de rock n roll inacreditável, principalmente da década de 70, a qual ele estava anos luz a minha frente. Isso também tinha a ver com a idade do cara, ele era uns oito anos mais velho do que eu. Mas a história é a seguinte, uma vez o Cotô me gravou uma coletânea que fiquei de cara. Era assustadora de boa!! Puro rock n roll!! Entre as músicas da coletânea, tinha uma que me chamou mais a atenção, Era "Frankenstein" , de um cara, que eu não conhecia na época, chamado Edgar Winter. Eu sabia quem era o irmão dele, o Johnny Winter, mas de seu irmão mais novo não sabia nada. Ficávamos horas ouvindo essa coletânea e, quando chegava na música do Edgar, era a hora de acender as 'velas' e silêncio absoluto pra gente poder viajar no som. Bom, vou trabalhar, no próximo post te digo quais eram as outras bandas da compilação. Ah, e vou colocar uim link ali embaixo pro disco inteiro do Edgar Winter. Abraço!!
Ouça Edgar Winter e saiba mais sobre o músico em seu site oficial www.edgarwinter.com
Escrito por Babu às 15h42
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Hijos de Putana
Não tá dando tempo de escrever, meu!!! Então decidi que vou dar uma 'chupinhada' de outros sites até o dia em que conseguir reservar um tempinho a mais pro blog. Mas podem ficar tranquilos, ele sobreviverá!!!!! Presta atenção na história desse pianista. Abraço!
Considerado um dos músicos mais importantes da bossa nova, costumava apresentar-se no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro. Seu piano pode ser ouvido em discos antológicos da década de 60, como "É samba novo" (Edison Machado), "Vagamente" (Wanda Sá), ambos relançados em CD em 2001. Em 1964, gravou seu único disco solo, o LP instrumental "Embalo", como pianista e arranjador, registrando, entre outras, a faixa-título, de sua autoria. Ao seu lado, os músicos Sérgio Barroso (baixo), Milton Banana (bateria), Rubens Bassini (congas), Celso Brando (violão), Neco (guitarra), Pedro Paulo e Maurílio (trompete), Edson Maciel e Raul de Souza (trombone), Paulo Moura (sax alto), J. T. Meirelles e Hector Costita (sax tenor). Nessa época, atuou com freqüência nas sessões jazzísticas do Clube de Jazz e Bossa, a convite do crítico Ricardo Cravo Albin, que havia sido seu amigo desde a adolescência, no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Atuou com vários artistas, como Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Nelson Angelo, Joyce e Edu Lobo, entre outros. Em 1976, viajou para Buenos Aires, acompanhando Vinicius de Moraes e Toquinho em turnê de shows. No dia 18 de março desse mesmo ano, após uma apresentação no Teatro Grand Rex, retirou-se para o Hotel Normandie, onde estava hospedado. Às três horas da madrugada, deixou um bilhete na porta do quarto de Vinicius, que dizia: "Vou sair para comer um sanduíche e comprar um remédio. Volto logo". Foi levado preso pela rede clandestina da repressão oficial argentina. Torturado durante nove dias, após ter ficado claro o seu não envolvimento com atividades políticas, recebeu um tiro na cabeça. Deixou Carmen Cerqueira Magalhães, sua mulher, grávida e quatro filhos. A quinta criança nasceu um mês após o seu desaparecimento.
Discografia: Embalo - 1964 (esse aí em cima)
Fonte - Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
P.S. A grande notícia é que a Dubas Música acaba de relançar o disco " Embalo", do Tenório Jr.
Escrito por Babu às 19h08
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Convidado do Dia - Fábio Fonseca, o Draco
A necessidade de explicar cria alguns seres transtornados que atendem pelo nome de Críticos. Estes, geralmente (sempre?), precisam catalogar, empilhar, colocar na pasta daquele ou de outro estilo, subestilo, meta-estilo. Enfim, precisam criar uma escadinha muito da sólida para conduzir a música à banalidade. Ok, tá certo que todos nós precisamos nos apoiar em algo para descrever o que é novo, mas pra dizer onde se fica algo, só é preciso decorar um mapa. É criar um mapa para a arte é tirar desta sua função essencial: criar um mundo em cada mente.
Agora, pra abusar do jargão, vou utilizar outro approach. Vou usar aquele do "inculto" ante uma obra de arte: quando a linguagem falha e apenas existe o sentir. Óbvio, como uso da linguagem pra explicar a arte, não tenho como me livrar do mapinha dos críticos, mas tentarei mostrar o lado do embasbacamento. O lado onde não conseguimos expressar porque algo nos comove, mas sentimos a onda de choque produzida pelo estrondo e o clarão que diz "ISSO É FODA!!!!".
Pois bem, o disco começa com um "feeling of jazz". No harlem, num cabaré enfumaçado, uma diva sobe ao palco e começa, junto com a big-band, cantar as lamúrias do amor perdido, do jazz perdido, da vida perdida. Como todo Marsalis, absolutamente tradicionalista. Os anos 3O, cheios do suor e fumaça, são (re)visitados em poucos minutos.
Mais um gole de whiskey. Opa! Que os agentes da lei-seca não nos ouçam!
Década de 1940. Quando os soldados voltam para aquele país que se tornaria na máquina do mundo, o scat, o zumbido do trompete marcam o compasso das máquinas. Logo em breve, Bel-airs, Impalas e o American way of life nascerão sob a chancela do jazz. E Marsalis nos leva pelo período de ouro da história americana. Ali, o Scat, o piano levando suavemente a vida até... o bop!
Uma duas três no - tas. O piano se torna minimalista. O trompete se torna ainda mais estridente. Agora soa a trombeta de novos tempos. A teoria do caos - estupidamente matemática - reina nos espaços.
Nasce o cool! O retorno para a melodia, para a suavidade. Mas os anos são nervosos. Não dá mais para voltar para Dixieland. Nova Orleans já se foi e o sinal de modernidade continua ali: marcado pelo soar do trompete. Cada baforada no instrumento nos avisa que Nova Orleans já se foi.
Quando, de repente, The Magic Hour. O século passa por nós em 3 minutos. Apressado, apressado, pra freiar e: mostrar que ele nunca morre, só recomeça. E, claro, empesteado de tudo que já passou. Afinal, daí serão escritos os novos mapinhas por onde os cegos se guiarão.
Escrito por Babu às 16h21
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Convidado do dia - Denis Almeida Vieira Junior, o Denão
Stevie Ray Vaughan
Nasc: 3 de outubro de 1954
Local: Oak Cliff, suburbio de Dallas
Em meados de '96, ganhei meu primeiro disco do mestre SRV, "The sky is
Crying" na qual a faixa "The Sky is Crying" foi gravada em '85, no Texas.
Desde então, levo o blues adiante, sempre tendo ele como um mito, até o logo do
meu site é inspirado nele. Pra quem não
conhece, tocou com inúmeros mestres do rock, blues e soul, como Jimmy Hendrix,
Jimmy Reed, Chuck Berry, T-Bone Walker, Jeff Beck, Eric Clapton, B.B.King, entre
outros. Sempre sendo elogiado e tido como um dos mestres da guitarra, levou sua
marca para o mundo, deixando saudades por onde passava. Em 1982, participou do
"Moutreaux Jazz Festival" e foi muito vaiado! No cd desse festival, percebe-se
perfeitamente os "boo's que a platéia lançava sobre ele. " Opinião
pessoal, festival de Jazz de Montreaux, nego acha que vai oubir jazz puro, nada
de Blues e guitarras estridentes e acaba vaiando, mas na época, SRV não teve a
visão disso e levou tudo muito pro lado pessoal, ficou mto abalado, e soltou
para a mídia que estava com problemas pessoais, com drogas e com a
gravadora." Depois desse show, David Bowie e Jackson Browne viram 'com
quem estavam lidando' e resolveram convidar o bicho pra fazer umas gravações
em estúdio (tudo pago por eles), e foi onde saiu o primeiro CD "Texas Flood", em
83. Logo em seguida, lançou "Couldn't Stand the Weather", em 1984 e "Soul to
Soul" em 1985. Em 1986, lançou "Live Alive" e foi quando os maiores problemas de
drogas apareceram. Participou ainda em 86 como convidado do programa americano
'Saturday Night Live' e saiu como um marco para a época! Ainda no final de '86,
fez uma reviravolta na sua vida, levando em conta tudo que estava construindo em
volta de si e percebendo que estava se afundando nas próprias besteiras... foi
quando juntamente com Tommy Shannon (baixista da banda) e com seu irmão mais
velho, Jimmy Vaughan, se ergueu novamente, e em 1989, disse "When I'm Playing
now, it's whole new chance for myself. More than ever, if I don't play the best
I possibly can - and really try to play better than I think I can - then I've
wasted it!" Lançou em 1989, o disco "In Step", seu último disco lançado em
vida. - "Um dos melhores, na minha opinião" Em 30 de Janeiro de 1990, fez
um Acústico MTV, que marcou muito, levando em conta que a banda Double Trouble,
que o acompanhava, não participou, ou seja, ele e o violão, versão imperdível
pode ser conferido hoje, no DVD "Acústico MTV - Classic Moments". Foi quando
tudo entrava nos eixos novamente, seu nome estourando nas paradas de sucesso,
aconteceu a tragédia, em 27 de Outubro de 1990, quando fazia uma "All-Star Jam"
com Eric Clapton, Jimmy Vaughan entre outros mestres, o helicóptero onde ele
estava caiu, e os 5 passageiros morreram. Realmente um perda inigualável para o
mundo da música e, na minha humilde opinião, o melhor guitarrista de todos os
tempos. Não somente pela técnica, que na época era fantástica, mas também pela
paixão que tocava e pela facilidade de trazer a sutileza e a "ginga" das suas
músicas. Ainda depois de sua morte, alguns discos ainda foram lançados, como o
meu primeiro disco dele "The sky is Crying" lançado em 1991 entre outros como,
"Live at El Mocambo" - 91, "In the Begining" - 93, "Sacred Sources" onde ele
toca a música "Riviera Paradise" no último show que fez... entre vários outros!
Confira SRV
na Rádio UOL e mande seus comentários !
Escrito por Babu às 17h10
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Escrito por Babu às 10h40
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Convidado do dia - Danilo Valentini, o Vara

A penúltima coluna de mestre Babu me empolgou. Voltemos ao Palace, outubro de 1992. Saí moribundo após ter sido reprovado de um curso de locução para FM no Senac. Fui para Moema encontrar meu pai para a única alternativa que eu tinha na noite para melhorar meu bom humor. Era Free Jazz Festival, com um setlist que poderia estar em qualquer situação que não aquela: Little Richards e Chuck Berry. Chegamos cedíssimo, só a gente, alguns gatos pingados, umas gostosas distribuindo flyers de Johnny Walker e um carro estacionado no saguão da casa (sempre tinha um por ali, até o dia que o Buddy Guy, num clássico rolê pela platéia, se instalou numa Ipanema para ficar solando de forma ensandecida). Pois bem, fomos para o salão, apenas eu e meu velho, e uns outros três caras, numa mesa ali ao lado. Comecei a trocar uma idéia com meu pai até que a porta do salão foi fechada e ninguém mais pôde entrar. Ou seja, o público começou a se aglomerar do lado de fora, sem saber que ali dentro cerca de cinco marmanjos (incluindo eu e o véio) ganhavam a boiada de assistir uma passagem de som do Chuck. Fomos pra beira do palco, enfiamos a cabeça por baixo da cortina e só ficamos pagando pau pro pé do Hôme marcando o ritmo de seus indefectíveis riffs. Detalhe: ele veio sem banda e sem instrumentos. Arrumou um bando de capangas calejados em rock´n roll e pegou uma guitarra emprestada do Marcelo Nova. O ex-Camisa de Vênus, aliás, ao meu lado, na hora do show, pulava como louco e me abraçava, gritando: “A GUITARRA É MINHA, MALUCO! DEUS TÁ COM A MINHA GUITARRA!”. Impagável. Sem contar que no show anterior paguei um dos grandes micos da minha vida (não foram poucos), ao subir no palco pra dançar ao som de “Tutti Frutti”, com a bichaça do Little Richards martelando o piano rodeado por uma galera. No final, descolei ainda um broche de uma libélula cravejado de brilhantes de quinta categoria. Esse foi pra patroa. Bem, melhor parar por aqui. Abraz
Ouça Chuck Berry
Ouça Little Richard
Escrito por Babu às 16h28
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MC5 em casa, na fazenda ou numa casinha de sapé...e quem sabe, até em rádio rock!!
Você conhece o MC5? Se conhece, sabe que qualquer um que goste e conheça um pouco mais sobre o rock n roll, venera essa banda!!! E se não conhece, tem que conhecer já! Só que não vai ser aqui. Vou contar uma outra parada relacionada aos caras, ou melhor dizendo, ao som dos caras. Já trabalhei numa rádio paulistana, dessas chamadas "Rádio Rock" e, inacreditavelmente, uma das maiores decepções da minha vida com a música rolou nesse recinto. Mas também tenho que dizer o quanto é diferente você só ouvir música, e você trabalhar com música, é muito foda!! Sempre tive a impressão de ouvinte, aquela romântica. Aquela mesmo, de achar que a programação de uma rádio é livre e tal. Me fudi!!! Impacto negativo total. Mas não digo que existe um SÓ culpado por isso. O povo também aceita na moral o que lhe é imposto, eu aceitava!!! E tô dizendo isso não por prepotência, do tipo "ó o cara cara se ligou, tá achando q é o bom". Nada disso! Existe uma forma de você não aceitar mais isso também, NÃO OUÇA essas rádios!! Mas a conversa tomou outro rumo e a história do MC5 ainda não rolou, é bem triste. Tem um cara que trampava na rádio q e que se chama Ricardo Rocha. Eu sempre entrava no ar depois dele, ou seja, a gente sempre tinha um tempo pra trocar idéias e tal. Acabamos nos tornando grandes amigos. Pra vc ter uma idéia, na minha estréia na rádio, quando entrei no estúdio, tinham umas cinco pessoas caídas no chão, todas chapadas. Eram amigos do Ricardo. Eu, naquela tensão de estréia, achei demais aquilo, porque poderia entrar no ar sem nehuma vergonha ou nervosismo, ninguém ia notar porra nenhuma mesmo(heheheeh). Era um horário bem alternativo o nosso, era alta madrugada. E isso, não vou dizer que só foram maravilhas, mas de um modo geral, foi demais!! Apesar da rádio ter excelentes programadoras, a Érica e a Elisa, na madrugada quem programava éramos nós. Fomos advertidos diversas vezes pelo coordenador de que não podíamos trocar músicas da programação e blá blá blá...Foda-se!! Só que chegou o dia em que o maluco tinha que mostrar o seu poder(coisa de chefes), aproveitou-se de que tinha rolado um MC5, que ele nem sonhava em incluir na programação da rádio ROCK e, chamou o Ricardo pra uma conversa. Já adivinharam?? Ele foi DEMITIDO por ter tocado MC5 e ainda ouviu o seguinte: "Quer ouvir essas bostas, vai ouvir na sua casa!!!!". Golpe fatal no Rock n Roll!!! Mesmo sem o Ricardo na rádio, o q foi foda, eu continuei burlando os incompetentes e mandando ver no rock n roll da madruga da brasil 2000, no Grito da Madrugada. História triste, mas, infelizmente, real!!! Em homenagem ao Ricardo, que se deu muito bem ao sair de lá, vou colocar o link pro disco inteiro do MC5, e se vc não for assinante do uol, baixe da internet e ouça. É Rock!!! Abraço!
P.S. Eu só esqueci de dizer qual a música demissionária, foi "Kick Out the Jams".
Kick Out the Jams, Motherfucker!
Escrito por Babu às 10h52
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Do you Wanna Dance?
Se vocêr ouviu, ao vivo, "Do you Wanna Dance" na primeira vez que o Ramones veio pro Brasil, saiba que eu, e mais dois amigos, fomos os responsáveis. Vou explicar, fomos ao show naquele lugar q era conhecido como palace, aqui em SP. Porra, aquela coisa de moleque, vamos bem cedo pra não ficar lá atrás e tal. Só q a gente foi muito cedo, mas muito cedo mesmo. Resultado: fila do gargarejo plena!. Quando a fila ainda estava do lado de fora, a gente já tava eufórico, éramos os teceiros!! Só q a situação ainda melhoraria, depois q passamos pela catraca da casa, fomos informados de q as pessoas q tinham o ticket pra pista deveriam se dirigir a uma outra porta e blá blá blá. Aconteceu o q a gente queria, fomos os primeiros a entrar na pista. A única coisa q separava a gente do Joey, era a grade de proteção entre a pista e o palco, ou seja, o cara babava em cima da gente. Altos perdigotos do Joey Ramone. Se eu e meus amigos, O Jeca e o Ju, fossemos um pouco mais escatológicos, teríamos colhidos amostras da saliva do cara, sem exagero. Mas a melhor parte ainda estaria por vir. Quando o show tava acabando, o Joey começou a pedir q o público escolhesse suas prediletas e qa ainda não tivessem sido tocadas. Foi aí q chegou a nossa vez , o Joey deu uma sapeada ali na primeira fila e aceitou o nosso pedido. "One, two three, four....Do you Wanna dance, under the moonlight...squeeze and kiss me all throught the night...". Foi a glória suprema pra gente!! Imagina só isso, uma pá de gente ouvindo um som q a gente pediu, foi demais! Contamos essa história por vários anos, até, algumas vezes, pras mesmas pessoas(heheheh). Então, faço questão de dedicar esse post ao Jeca(Jefferson) e ao Ju cabeção(Osmar), valeu. Abraço!
Ramones ao vivo em NYC - 1978
Site Oficial
Escrito por Babu às 15h13
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Tira o leeieieieiete
O caubói brasileiro Bob Nelson nasceu em 1919 em Campinas e trabalhou como caixeiro viajante grande parte de sua vida, até começar sua carreira de cantor na rádio educativa da cidade. Em 1943 adotou o estilo que o consagrou(heheheh), virou caubói mesmo e sua inspiração foram os filmes de Gene Autry e o canto dos tiroleses. E não é que o cantor conquistou lá seus fãs. Ah isso sim, inclusive na terra dos cowboys, os estados unidos. Sim, ele mandou seus yodellings pros gringos e foi muito bem aceito, até emplacou sua versão de " O Susana" e seu maior feito na terra de homer foi ter se apresentado pro general Mc Arthur(q lenha!).Bom, Tô sem tempo pra escrever mais, vou fazer o seguinte, vou colar aqui embaixo uma resenha(em inglês) que achei na net sobre o disco que tá destacado aqui, o "Vaqueiro Alegre", e vou colocar um link pro disco tb. Abraço!
Bob Nelson "Vaqueiro Alegre" (Revivendo) Great stuff! Admittedly, this is a quirky "best-of" entry, but folks I play this for are always floored by it. I'd heard that Brazil has a homegrown country scene, and here's an early forerunner from the 1940s ... Little traces of samba seep in around the edges, but this ten-gallon hatted "happy cowboy" had genuine hillbilly roots, with fiddle, accordion, banjo pickin' to spare, and yodelling like there's no tomorrow. This is decidedly goofy, frivolous material... but the musicianship is also quite good. It's kind of like when Gene Autry or Roy Rogers did some Latin-American-tinged, polka-flavored number, except coming at the material from the opposite direction. If you're not quite sure, take my word for it: this is fun stuff! (PS - the only place I've ever seen this available is directly through the label. It's worth getting in touch with them to track this down.)
Ouça o disco "Vaqueiro Alegre"
Escrito por Babu às 15h51
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Convidado do dia - Jesse Navarro
SARGENT PEPPERS PAGA PAU CLUB BAND
O disco Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band apareceu na minha vida em 1992. Emprestei de um amigo do colegial, o Silas. No mesmo lote, havia também Magical Mistery Tour, Abbey Road e um triplo do George Harrison, com sua obra não aproveitada pelos Beatles. Desses todos, acho que Silas gostava mais do Harrison. Eu, com certeza, pirei nos outros três discos, especialmente o Sargent Peppers.
O mais louco de tudo foi o meu menosprezo inicial. Não entendia aquelas capas. Quase devolvo sem metê-los na vitrola. Por sorte do destino, comecei a ouvir Magical, que parecia ser o mais babaca de todos pela capa: os Beatles fantasiados de galinha e sei lá mais o quê. Ao ouvir e tatear o encarte, pirei geral. Havia uma conexão entre aquela doideira e meu misticismo da época. Rosacruz e psicodelia.
Mas muita coisa me ajudou a ser seduzido pela modernidade da pop art. Meu pai era jornalista e viveu os 60 e 70 -- peguei isso de tabela, lendo muita Ilustrada, fascículos, livros e enciclopédias da biblioteca de casa. Teve a MTV, que revolucionou a minha vida de adolescente careta. E amigos, como Silas, Jorge, Léo, Neto, Babu e tantos outros que injustiço agora ao não citá-los.
E, também, cá entre nós, FODA-SE.
Tudo isso misturado, acabou abrindo a minha mente e, em 1992, já estava maduro para entender a mensagem do Sargent, de 1967. Um disco essencial, fundamental, a começar pela capa, que faz homenagem aos ícones do século 20. Emparelhados, como bonecos de cera, estão lá, num tipo de funeral, os Beatles-LSD de 67, os Beatles terninho de 62, Marylin, Elvis, Aleister Crowley, Bob Dylan...
Das músicas, nem se fala, uma revolução em quatro canais. Lucy in the sky with diamonds e suas famosas iniciais; Good Morning, Good Morning, rock + cachorros + galinhas + outros animais e seu célebre verso: Nothing to say, but it´s OK. A day in the life... É até asneira prosseguir revelando títulos. Eu mesmo não tenho saco para ler textos cheios de citação de músicas que desconheço, porque não me esclarece em nada. Só ouvindo mesmo.
Estou seguro que o leitor não chegou até aqui lendo isso, até porque, já conhece a obra e percebeu tratar-se de redação elogiosa ao disco. Mas, se leu até aqui, então isso é um sinal de que você deve ouvir Sargent Peppers. Bobeira? Pode até ser. Mas nada é por acaso.
Escrito por Babu às 10h13
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